Esse é o meu universo: o que eu ouço, o que eu penso e o que eu vivo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Dia de Faxina



De repente, você se dá conta de que sua casa se tornou um lixo. Roupas, lençóis, copos sujos. Cortinas fechadas, o sol não entra há dias. O ar não circula. A vida também não.

Mesmo que você não queira assumir ou aceitar: Você não quer se desfazer das lembranças de alguém que se foi. Os lençóis da última noite juntos, na fronha ainda ficaram alguns fios de cabelo. A bermuda que ele usou naquela noite. A camisa que você usava durante o último abraço. Onde quer que ele tenha tocado, o que quer que tenha seu cheiro, sua marca: seu desejo é perpetuar a existência de qualquer coisa que o faça presente.

Mas a vida clama por ser vivida. É preciso seguir em frente, lavar a roupa suja. Já não há mais seu perfume nas coisas, apenas lembranças, estas sim demoram a desbotar: o momento do primeiro beijo, o parque onde se encontravam, o banquinho do terminal, o local onde se disseram adeus; e apenas saudade, porém esta não desaparece jamais, você apenas se habitua a ela como a uma mancha numa camiseta preferida.


Não é tão fácil começar esse tipo de faxina, mas é preciso se desfazer do que te prende ao passado. E dói, como se fosse o seu coração girando no tambor da máquina de lavar. É difícil, mas é preciso. Afinal, a vida é feita de ciclos. Cada momento, bom ou ruim, são ciclos que você precisa encarar para alcançar seus planos. Até a máquina de lavar opera em ciclos. E não venha me dizer que a vida não dá pra programar, porque não é verdade. Mas se alguma coisa saiu do planejado, assuma o erro, comece outro ciclo, encare o risco. Amanhã tem mais. Sempre vai ter.

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