Esse é o meu universo: o que eu ouço, o que eu penso e o que eu vivo.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Destino: Felicidade


Felicidade ficava muito longe dali, seria uma viagem cansativa, angustiante, mas em viagens tão longas isso é inevitável. É bem provável que eu fosse desistir antes de alcançar o destino. Muitas pessoas ainda mais decididas já haviam desistido antes. Já se passavam anos nesta revolucionária odisseia. Impasses, desilusões, tristezas, mas também muitas realizações e alegrias. Algumas vezes me perdi pelo caminho, mas isso não é tão extraordinário que eu não pudesse retornar ao ponto do erro e recomeçar a jornada.

Seguindo pelo mapa, segui viagem entrando numa estrada bem ampla e clara, mas logo percebi que aquele percurso era complexo, logo no início encontrei as dificuldades, hesitei, pensei em desistir, mas mesmo assim resolvi insistir, por um tempo, mas logo depois, por causa de algumas pedras no caminho - muitas placas indicavam instabilidade na pista - percebi que eu não era capaz naquele momento, decidi voltar atrás e me preparar para enfrentar aquele caminho. E, tão logo eu estava preparado, tentei voltar à minha viagem, mas foi então que me dei conta de que aquela estrada estava fechada. Eu não tinha mais permissão para transitar por ali. Chorei por alguns meses, pois acreditava que aquele fosse o único caminho para Felicidade, até me dar conta de que a grande verdade era que aquela estrada é que não tinha estrutura para mim. Então guardei apenas a curiosidade de como poderia ter sido.

Assim que enxuguei as lágrimas, percebi uma segunda estrada que parecia bem mais confiável. Me joguei de cabeça, sem medo, e me encantei com todas as belezas do percurso. A cada passo uma nova descoberta. Era mesmo feita todinha para mim, cada detalhe, cada cheiro, cada som, cada paisagem, cada textura. Eu nunca mais voltaria a me encantar assim. Algumas vezes tive vontade de correr para descobrir mais coisas em menos tempo e me desesperava quando era proibido disso. Talvez eu tenha me desesperado demais, exagerado um pouco, mas esse não foi o motivo para ter minha viagem impedida. Pois sim, aconteceu, ironicamente aconteceu. Aquela viagem tão maravilhosa teve que ser cancelada por aquele caminho. Uma placa no caminho dizia que aquela estrada não estava totalmente pronta e, desse modo, eu não poderia alcançar meu destino por ali. Tive que voltar, para minha segurança, mas com a promessa de que aquela estrada seria terminada um dia. Cada lembrança que eu tinha me acendia ainda mais a esperança de voltar. Não fazia mal esperar, enquanto eu tivesse aquelas lembranças nada poderia me entristecer.

Foi então que notei a terceira estrada à minha frente. Nunca antes tinha visto nada mais atrativo. As portas estavam totalmente abertas e me convidavam para ir por ali. Me arrisquei, acreditei outra vez que era a hora de voltar à viagem. Era tão lindo o percurso e não apresentava perigo apesar de obscura em alguns pontos. A curiosidade me instigava a seguir em frente, a estrada apenas se tornava mais atrativa. Eu já tinha começado a fazer planos, como agir, como me dedicar, o que fazer para aquele percurso valer a pena. E de repente vi a estrada se fechando até não poder mais seguir adiante. A estrada também não estava terminada e segundo a placa no fim do caminho: “entrega em quatro meses”.

Me sentei na frente das três estradas. Repensei todas as minhas tentativas de atravessar esse ponto da viagem até Felicidade. Será que a culpa era minha? Será que depois de tanto me preparar ainda faltava algo? Algumas pessoas que passavam por mim e me viam ali sentado, duvidando, hesitando, sofrendo, diziam que eu merecia chegar ao meu destino, mas nenhuma delas tinha a resposta que eu queria: Como? De que forma? O que me faltava? O que me sobrava?

Olhei para trás, a primeira estrada estava aberta novamente e havia um convite para mim. Era a mesma estrada, cheia de pedras no caminho, cheia de dúvidas, cheia de riscos. Tinha sido muito usada por outras pessoas, estava ainda pior do que quando eu passei por ela, tinha mesmo deixado de ser atrativa para mim, eu já sabia que seria um grande risco tentar de novo por ali então preferi não me arriscar. A segunda estrada ainda estava fechada, tinha uma placa na entrada dizendo que estava em reforma, sem previsão de término, e sem muitas esperanças de exclusividade quando terminasse, apesar de ainda ter o meu nome rabiscado na porta.

Me voltei para a terceira que ainda me intrigava. Quis ver mais de perto como ela funcionava, prestar mais atenção aos detalhes e só então reparei a placa na entrada que dizia: “Aberto ao público”. Meu deus! Não era uma estrada, era um beco sem saída, uma via inconstante, cheia de altos e baixos, e que não pretendia me levar ao meu destino, e não se prestava a ser exclusiva, muito menos para mim que ocuparia tanto espaço, muito menos para mim que supostamente não era digno de transitar por ali. E só descobri isso porque fui persistente, insisti em dar mais uns passos à frente e finalmente encontrei uma placa com uma mensagem, no mínimo, engraçada: “Proibido transitar usando bermuda dobradinha”. E eu ri, eu ri, eu ri até o riso se transformar em choro. E voltei imediatamente antes que o choro se tornasse desespero.

Mas já era tarde, eu já havia me desesperado. E fiquei cego. Tão cego que não vi logo mais à frente uma trilha, que poderia ser a solução, que poderia ser o melhor caminho. A placa na entrada dizia: “Esperança!” Poucas pessoas haviam passado por aquela trilha, poucas marcas deixadas naquele caminho. Eu poderia construir uma estrada ali, fazer do meu jeito, usar todo o meu perfeccionismo, tornar aquela via mais bonita. Mas eu estou cego pelo desespero, preciso descansar depois das tentativas, me recompor, me refazer. Estou incapacitado de tomar uma atitude agora. Não quero desistir. Não vou desistir. Mas Felicidade vai ficar pra outra hora.

domingo, 8 de abril de 2012

Bad Dreaming

Quero acordar sem a responsabilidade de sofrer essa história
Quero acordar sem essa dor no peito e essa angústia na memória
Quero acordar com os olhos limpos e desistir a tempo dessas apostas
Quero acordar e descobrir todas, que tanto ansiava, as respostas
Quero acordar...
e isso já me basta!

quinta-feira, 1 de março de 2012

Últimos Fatos...


Eu sumi... abandonei isso aqui. E foi por um bom motivo: só tenho inspiração pra escrever quando não estou bem. Isso quer dizer que estive muito bem durante esse tempo, realizando coisas muito importantes, vivendo coisas que antes eu não me permitia viver. Ok! Então quer dizer que se eu voltei a escrever agora é porque novamente... não estou bem =( De fato, mas não vou exagerar, não estou tão mal assim, afinal, conheci finalmente uma pessoa que se parece demais comigo, não há nada mais maravilhoso que isso. A notícia ruim é que não podemos estar juntos...

Tirei férias em outubro, viajei, passeei. Passei momentos maravilhosos com pessoas maravilhosas. Foi nessa viagem que conheci Alberto, um príncipe. Foi amor à primeira vista. E numa cidade desconhecida, fiz todos os contatos precisos para me aproximar dele, sem assustar, sem invadir. Juntei informações, investiguei sobre ele. Descobri que ele também tinha um blog e que escrevia coisas melancólicas como eu. Mas não foram os temas que me atraíram, era a forma como ele escrevia, era como se desabafasse direto a mim, como se me pedisse cuidados, atenção, carinho. E antes mesmo de ouvir sua voz eu quis cuidar dele.

No primeiro contato direto, ainda que virtual, fiquei surpreso pela receptividade dele - talvez seja uma característica dos mineiros. Depois de alguns desencontros, alguns contratempos, finalmente pude estar com ele. E então foi automático ele acender todos os meus sentidos: o cheiro dele, a voz, a textura da pele e o sabor do beijo. Pouco menos de 15 minutos e ele já demonstrou sua fragilidade. Todas as informações que eu tinha sobre ele eu usei, não para conquistar, pois ele não era um prêmio, mas para deixar bem claro que eu sabia quem ele era e o quanto eu o queria pra mim, o quanto eu queria cuidar dele. Na hora da despedida sentia como se me arrancassem um membro. Eu já o sentia como parte de mim. Eu estava inquieto, ansioso, nem consegui dormir naquela noite. Queria escrever, rabiscar, produzir. Escrevi um poema quase que por catarse. Queria correr pelas ruas, alcançá-lo, encontrar sua casa, pular sua janela. Queria roubá-lo pra mim, pra sempre. (ler o poema)

De fato, não era somente aquela fragilidade e aquele olhar perdido que me atraíram. Alberto tinha também muita alegria nele, e se eu pudesse fazer um pedido gostaria de poder ver todos os dias da minha vida o sorriso dele, com suas buchechas rosadas e aquelas covinhas. No dia seguinte decidimos levar o relacionamento à frente, mesmo à distância. Ele me jurou que sabia o que estava fazendo e eu também jurei que estaria bem enquanto ele estivesse comigo.
Não foi bem assim...

Aquela noite nunca deveria ter terminado. Naquele quarto de motel, éramos Romeu e Julieta, torcendo para que nossa noite de núpcias não findasse, odiando os pássaros que já cantavam forte e maldizendo a luz do dia que teimava em cumprir seu horário me fazendo lembrar que em poucos minutos eu teria que voltar para o meu mundo e deixá-lo - até quando? Se eu fechar o olhos agora posso ver nitidamente naquela manhã nublada o meu Alberto indo pela calçada enquanto meu táxi sumia na esquina.

Ele me escreveu um poema, sabe? Com o meu nome e tudo mais: Maggioni. Ninguém antes fez isso. Quisera eu que essas palavras nunca tivessem se perdido. (ler o poema)

O que veio depois foi somente angústia: mensagens sem resposta, a falta de ligações, conversas adiadas. Mas aqui dentro de mim o sentimento apenas aumentava, se misturava com essa angústia e criava mais força, mais expectativa. Eu poderia explodir de tanta paixão, mas acabei explodindo de tristeza quando ele finalmente assumiu que ainda, AINDA, sentia algo pelo ex - maldito seja. Ele que era o que fosse, esse tal Gustavo, mas quem seria ele para merecer o sentimento de Alberto, mais do que eu? Talvez ele seja uma pessoa realmente muito boa e merecedora. Talvez a única diferença entre ele e eu é que eu me dispus, eu quis mesmo oferecer algo para Alberto. E o ser humano é sempre atraído pelo que é difícil, por aquilo que o faz sofrer.

E esse relacionamento tão musical... Para tudo tínhamos uma trilha sonora. E eu, que tantas músicas ainda queria dedicar, fui interrompido. Na mensagem que ele terminava comigo veio junto uma música que, se não falava tudo, conseguiu ao menos me despedaçar, e mesmo assim me fazer entender tudo, compreender tudo. (ouvir a música)

Talvez a gente possa culpar o tempo, talvez a gente possa culpar a distância, mas eu prefiro ter os dois como aliados. Quero usar o tempo para amadurecer e a distância para fortalecer o sentimento, porque eu encontrei alguém que realmente se parece comigo e que vale muito a pena esperar. Nossa hora vai chegar.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sentimento Displicente


Este amor foi mau discente
gramaticalmente incorreto
historicamente antecipado
quimicamente complexo
matematicamente impreciso
geograficamente apartado
Este amor foi indecente
e fatalmente reprovado

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Caso do Sujeito

Convidei ELE pra fugir comigo...
Assim mesmo.
Não O convidei da maneira correta,
pois meu desejo é fugir das regras que estão nos impondo,
das regras que estão nos impedindo.

Quero que ele venha morar dentro de mim
Para que ele vá pra onde eu for
Quero que ele me siga para um lugar bem distante
de toda gramática e ortografia
Onde as bocas não precisam de palavras
Pois a única concordância conveniente
são os lábios dele com os meus.